19.09.2005 - Flávio Guerra - OESP (www.oesp.com.br)
Renovação da Lei do Audiovisual une classe cinematográfica
Representantes de vários setores debateram importância
do Artigo Primeiro para sobrevivência do cinema nacional
A divergências
que dividiram a classe cinematográfica quando a criação
da Ancinav esteve em pauta, no ano passado, parecem ter saído de
cena agora, quando o assunto em pauta é a extinção
do Artigo 1º da Lei do Audiovisual (que permite às empresas
investir em projetos cinematográficos parte do Imposto de Renda
devido), prevista para dezembro de 2006.
Desta vez, tudo indica que a classe está coesa quanto à
conclusão de que a lei deve ser renovada.
- Constatamos que a política para o cinema brasileiro se resume
a uma lei. Sem o incentivo fiscal, o cinema brasileiro morre, comentou
o cineasta e distribuidor André Sturm. Para evitar o que segundo
eles seria uma "catástrofe", representantes se reuniram
na quinta-feira em São Paulo, no MIS (Museu da Imagem e do Som),
para discutir a Renovação da Lei do Audiovisual.
O clima da reunião, organizada pelo Fórum do Audiovisual
e do Cinema, foi de consenso.
E o coro contou com vozes tradicionalmente dissonantes. Entre os debatedores,
estavam Cadu Rodrigues, diretor da GloboFilmes, Gustavo Dahl, diretor
da Ancine, o diretor Toni Venturi, a produtora Assunção
Hernandes, o distribuidor Bruno Wainer, da Lumière, Rodrigo Saturnino,
da Columbia, Roberto Farias, a diretora e produtora Carla Camurati, o
produtor Luiz Carlos Barreto, o ator e diretor Paulo Betti, entre outros.
A conclusão parece óbvia, já que não há
outra proposta a curto prazo que possibilite a auto-sustentação
do cinema nacional.
As divergências ficaram mesmo no tema: A lei será renovada
exatamente como é ou sofrerá modificações?
- Acho desperdício não aproveitar esta oportunidade para
fazer ajustes e melhorar detalhes que precisam ser revistos, afirmou Gustavo
Dahl.
A declaração de Dahl não revela quem defende esta
postura, mas o comentário geral era de que, escaldada com o grande
desgaste que as cisões do ano passado causaram, a classe cinematográfica
prefere não levantar grandes discussões teóricas
neste momento delicado por que passa a política do País.
André Sturm ponderou: - Não haverá desgaste desta
vez. A situação é outra. Ano passado foi-nos imposto
um modelo e a classe foi praticamente obrigada a se dividir entre quem
era contra ou a favor. Desta vez, são os profissionais de cinema
que vão discutir antes o que acham que deve ser mudado, para então
apresentar ao governo.
15.09.2005
- Da Redação - TELA VIVA News
(www.telaviva.com.br)
Ancine e MinC articulam solução para tributação
sobre equipamentos importados
A Ancine
e o Ministério da Cultura já estão articulando com
os ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento da Indústria
e Comércio uma forma de solucionar o problema das altas taxas cobradas
sobre a importação de equipamentos de produção
audiovisual sem similar nacional, segundo adiantou Mário Diamante,
assessor da diretoria da Ancine.
O assunto foi levantado em encontro promovido pelo Fac nesta quinta, 15,
em São Paulo. Paulo Ribeiro, da Loc.All, lembrou ainda que o setor
não encontra crédito para financiar estes equipamentos.
"O setor financeiro não entende nosso negócio",
explica. "É tão fácil fazer um leasing de carro",
ironizou.
As tributação chega a valores absurdos, como já noticiou
a revista TELA VIVA em uma série de matérias e editoriais
desde agosto de 2003. Uma lâmpada de refletor, por exemplo, que
não tem similar nacional, chega ao Brasil com um custo 191,97%
acima de seu país de origem. Para câmeras, a diferença
é ainda mais gritante, 201,77%.
08.09.2005 - Da Redação - TELA
VIVA News (www.telaviva.com.br)
FAC promove debate sobre Artigo 1º
O FAC
(Fórum do Audiovisual e do Cinema) promove do dia 15 de setembro
um fórum para discutir o Artigo 1º da Lei do Audiovisual,
cuja extinção ou renovação está prevista
para dezembro de 2006. O dispositivo é hoje a principal fonte de
investimentos no cinema brasileiro.
Participam do evento, entre outros, Gustavo Dahl, presidente da Ancine;
Ícaro Martins, presidente da Apaci; Leonardo de Barros, da Conspiração
Filmes; Rodrigo Saturnino Braga, da Columbia Pictures; José Rodrigues
Pinto; diretor da Corretora Destak; o produtor Fabiano Gullane e o diretor
e produtor Paulo Thiago. A coorednação é de Roberto
Farias.
O evento acontece das 14h às 19h no Museu da Imagem e do Som de
São Paulo. As inscrições podem ser feitas pelo endereço
www.facforum.com.br.
16.12.2004
Seminário sobre LIBERDADE promovido pelo FÓRUM DO ÁUDIOVISUAL
E CINEMA em São Paulo reuniu membros de associações,
criadores, advogados e estudantes
UM BALANÇO DO EVENTO
Na última quarta-feira, dia 15 de dezembro, foi realizado o I Ciclo
de Debates do Fórum do Audiovisual e Cinema - FAC. O tema do evento
realizado no Hotel Gran Meliá, em São Paulo, foi "Liberdade".
A primeira mesa de trabalho – O Valor da Liberdade de Expressão
para o Brasil - foi composta pelo cineasta e jornalista Arnaldo Jabor,
pelo professor de direito constitucional Luis Roberto Barroso, pelo publicitário
Roberto Duailibi e pelo antropólogo Roberto DaMatta. O moderador
foi o diretor da Associação Brasileira de Televisão
por Assinatura, Alexandre Annenberg.
Arnaldo Jabor abriu o debate fazendo uma análise dos dois últimos
governos que dirigiram o país. "Esta lei vai na contramão
do momento que o Brasil está vivendo. É um retrocesso termos
um órgão que controle a cultura de nosso país",
disse, referindo-se ao anteprojeto de lei que visa à criação
da Ancinav - Agência Nacional do Cinema e o do Audiovisual. Na seqüência,
o publicitário Roberto Duailibi lembrou da censura a partir das
década de 60, quando cultura, propaganda e imprensa foram mutiladas,
proibidas e perseguidas por critérios pessoais dos que ditavam
as regras do país.
Depois foi a vez do professor Luis Roberto Barroso lembrar o histórico
de intervenção do Estado na liberdade de expressão
do Brasil e afirmar que o papel do Governo em relação à
cultura deve ser de fomento e não de cerceamento.
O antropólogo Roberto DaMatta encerrou a primeira mesa de debates
afirmando que é preciso se pensar em liberdade para uma sociedade
de iguais, onde todos tenham os mesmos direitos. "O dirigismo parte
de uma fórmula que certamente não virá de um modelo
brasileiro", completou.
A segunda mesa de debates foi composta pelo jurista Ives Gandra Martins,
pelo publicitário Gilberto Leifert, pelo diretor da Ancine, João
da Silveira e pelo advogado Marcos Bitelli. O moderador foi o cineasta
Roberto Farias e o tema foi "O Papel da Iniciativa na Indústria
Cultural".
Ives Gandra Martins abriu o debate fazendo uma análise detalhada
de artigos da Constituição Brasileira que falam sobre a
Comunicação Social. Ele leu trechos, explicou como a Constituição
é composta e concluiu que "não pode haver em uma democracia
o controle prévio por parte do Governo". Na seqüência,
ele citou que o anteprojeto que prevê a criação da
Ancinav manifesta inconstitucionalidade em vários artigos. "Ninguém
tem, em um país com 180 milhões de habitantes, o direito
de dizer o que é bom e o que é mau sem que haja uma discussão
com a sociedade", completou. O advogado Marcos Bitelli compartilhou
do mesmo conceito e complementou: "Não podemos transigir com
uma Constituição que nós bravamente conseguimos",
disse.
Depois, a palavra foi dada ao diretor da Ancine, João Silveira.
Ele falou da importância de haver debates como o que foi realizado.
"A sociedade precisa estar sempre alerta". O publicitário
Gilberto Leifert terminou o debate falando da proteção às
liberdades individuais, que precisam ser tratadas com mais atenção.
"O esforço que cada de um de nós deve fazer é
para que tenha mais gente que queira defender a liberdade de expressão
do que controlá-la".
O cineasta Roberto Farias encerrou o ciclo lembrando da criação
do FAC, que é formado por 17 associações que reúnem
cerca de 13 mil empresas, que geram 150 mil empregos das áreas
de produção, infra-estrutura, tecnologia, operação,
distribuição, programação e exibição
de Cinema, Rádio, Publicidade, Vídeos Domésticos,
Televisão Aberta e por Assinatura. "Começamos a perceber
que era preciso juntar todas as forças em um grande fórum
para que discutindo - até porque nem todos temos as mesmas idéias
- cheguemos ao desenvolvimento que tanto esperamos".
A platéia do debate foi composta por convidados das associações
que integram o FAC, artistas e criadores - Tony Ramos, Christiane Torloni,
Rosamaria Murtinho, Hector Babenco, Milton Gonçalves, Cláudio
Manoel, Alain Fresnot, Nicette Bruno, Walcyr Carrasco, João Emanuel
Carneiro, Maria Adelaide Amaral, Silvio de Abreu e Benedito Ruy Barbosa
-, estudantes, empresários e advogados.
22.11.2004 - Jornal Nacional (www.jornalnacional.globo.com)
Fórum discute a
liberdade de expressão nas produções nacionais de
audiovisual
Foi lançado
hoje em São Paulo um fórum destinado a discutir e promover
a liberdade de expressão nas produções nacionais
de audiovisual e de cinema.
Quando um brasileiro vai ao cinema, vê televisão, ouve rádio
ou assiste a um vídeo, ele se informa e se diverte. Mas também
exerce seus direitos. O direito de escolha, de expressão e de comunicação.
Reforçar
essas conquistas garantidas pela Constituição é o
que pretendem os executivos reunidos hoje, em São Paulo, para o
lançamento do Fórum pelo Desenvolvimento do Audiovisual
e do Cinema.
“As entidades
representam 13 mil empresas, 150 mil empregos diretos, então esse
fórum vai ser muito importante para discutir todos os problemas
que o audiovisual no momento está enfrentando”, afirma Luiz
Severiano, presidente da Associação Brasileira de Cinemas.
Essas 13 mil empresas
fazem a força de uma indústria que reúne produtores
de cinema, rádio e TV, exibidores, emissoras de televisão
aberta, fornecedores de Tv por assinatura e agências de publicidade.
As empresas reunidas
no Fórum pelo Desenvolvimento do Audiovisual e do Cinema pretendem,
também, divulgar a produção cultural brasileira dentro
e fora do país. Além disso, querem investir em qualidade.
O coordenador geral
desse trabalho será o cineasta Roberto Farias: “A gente está
buscando juntar forças no sentido de ampliar, de difundir a cultura
brasileira de uma maneira ampla, para fazer chegar ao povo mais humilde
e defender o direito dele de acesso aos bens culturais.”
Entre as preocupações,
o anteprojeto do governo para regulamentar o setor.
“O que nós
colocamos em primeiro lugar é a necessidade da discussão
de princípios e fundamentos de uma legislação de
audiovisual antes da Constituição de uma agência reguladora”,
explica Alexandre Annemberg, da Associação Brasileira de
TV por Assinatura.
O setor quer produzir
pesquisa, promover cursos para profissionais da área e até
para o público - para que as platéias e audiências
saibam exigir mais.
“O fórum
funciona pra isso, para que a gente não tenha alguma coisa determinada
de cima pra baixo, mas debaixo pra cima”, resume André Porto
Alegre, vice-presidente da Associação dos Profissionais
de Propaganda.
22/11/2004 - Da Redação - TELA
VIVA News (www.telaviva.com.br)
Fórum do cinema e TV é
oficializado em São Paulo
Aconteceu nesta segunda, 22, em São Paulo, a primeira reunião
do FAC, Fórum do Audiovisual e do Cinema, entidade que reúne
17 associações ligadas ao cinema e à TV, de produtores
a distribuidores e exibidores. O ato marca o rompimento definitivo de
entidades insatisfeitas com a adesão incondicional do CBC (Congresso
Brasileiro de Cinema) ao projeto de lei do MinC que cria a Ancinav.
Segundo o cineasta Roberto Farias, designado como porta-voz da associação,
o objetivo é "fortalecer o audiovisual e velar a cultura a
toda a população". Ele nega que a criação
do Fórum seja uma resposta à Ancinav. "Esta organização
já vinha se desenhando antes mesmo do projeto", afirmou. Mas
deixou claro que o projeto de lei será a principal frente de batalha
da entidade. "Somos a favor de uma Ancinav, mas não esta que
está no MinC. Achamos que o governo deve compreender e estimular
o setor, sem regras e punições. Já existem órgãos
e leis que fiscalizam bastante a comunicação, como o Ministério
da Justiça, a Lei de Imprensa, o Estatuto do Menor etc", afirmou.
Quanto ao racha entre o cinema dito "industrial" e o CBC (representando
os independentes), Farias disse que "o CBC se esvaziou na medida
em que tomou um partido, era para ser um fórum de discussão,
respeitando a opinião de todos. Apoiou a Ancinav contra grande
parte das entidades que faziam parte".
Censura
Durante a entrevista
coletiva, Farias mencionou diversas vezes a posição do Fórum
contra uma eventual interferência do governo nos conteúdos
produzidos pelo cinema e pela TV. "Na medida em que (o setor) é
cerceado, o Estado interfere na produção. Isso deixa todo
o mundo de cabelo em pé", disse. "O que queremos evitar
é o dirigismo e a censura", completou. Ainda assim, Farias
disse que não é objetivo da entidade combater o projeto,
mas sim "contribuir, com dados e pesquisas que ajudem o governo a
entender melhor o setor".
Telecom
Duas ausências
chamaram a atenção entre os associados do FAC: as emissoras
de TV que não estão na Abert (Record, SBT, Bandeirantes
e Rede TV), representadas pela Abra, e as operadoras de telecomunicações.
"Achamos que telecom não deve ser tratada pela Ancinav",
explicou Farias, "até porque a abrangência do projeto
acaba legitimando coisas que não são legais, como a produção
de conteúdo por empresas de telecomunicações. Quando
você regulamenta isso, está legitimando". Em relação
às emissoras, Farias disse que o FAC "está esperando".
"Os outros virão", concluiu.
Está claro que o FAC será o interlocutor das empresas que
exploram o segmento audiovisual e o Congresso no próximo ano, quando
o projeto da Ancinav estará no Congresso.
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